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To ryka na Alemanha

Resolvi iniciar uma série de cenas do meu cotidiano do dia a dia pra fazer o pessoal do Brasil parar de achar que eu fiquei ryka, metida e parar de tacar zoio gordo em cima de nós só porque estamos morando na Europa.

Aqui nóis é tudo muito simpres viu? Tem nada de glamur não!

E pra provar pra vocês, óia que pobreza.

  
Meu medidor culinário preferido, do Brasil, aquele bem baratão e chumbreguinha da loja de 1,99. Sabe?

Eu até tenho outros, mas gosto mais desse, porque tem litros, gramas e xícaras. Mas de tanto lavar as letrinhas tavam saindo. Então, espertamente, peguei um canetão permanente e dei um jeito na situação. Ficou meio bosta, mas funciona.

Por hoje é só, até o próximo post, que sei lá quando vou conseguir escrever. Façam uma corrente de oração pra Penelope dormir bem a noite, se der certo escreverei mais!

Fui.

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Pré-natal na Alemanha

Vorteeeei!!!

Depois de meses sem escrever nada, voltei pra essa bagaça. Já tava quase esquecendo que tinha um blog. 

É que nos últimos meses eu tava grávida, e quem já ficou grávida sabe que a gente fica cansada, sem saco pra nada, só quer comer e dormir. Ainda fiquei de bode por causa das dores, da azia, senti uma carência absurda, um início de depressão,  mas deu tudo certo e a Penelope nasceu toda abençoada por Deus e bonita por natureza. 

Nesse post eu vou contar como foi meu pré-natal na Alemanha.

Logo na primeira consulta, nos dão uma caderneta chamada Mutterpass, onde são anotados todos os resultados de exame, peso da mãe mês a mês, datas de consultas, vacinas, histórico de saúde, resultado do ultrassom, enfim, todas as informações necessárias ficam nesse caderninho. Eu acho bem prático, porque ele é pequeno e cabe em qualquer bolsa, melhor que carregar aquele monte de papel pra todo lado e perder por aí.
Quando eu tava no segundo mês, a médica recomendou um exame de translucência nucal, pra detectar alguma anomalia, que seria pago a parte (120 euros!) e feito em Frankfurt, e disse pra eu fazer logo, se quisesse, pois assim poderia interromper a gravidez antes do terceiro mês caso o neném tivesse alguma treta. Isso mesmo, na Alemanha o aborto é legalizado. Mas eu pesquisei sobre esse exame e vi que ele não é muito preciso, além de caro, além disso eu abomino a ideia de aborto, a não ser em casos extremos, e eu senti que esse exame só ia servir pra me dar paranoia. Então preferi nem fazer e assim economizei 120 euros que gastei em roupinhas de neném. E olha que com 120 euros dá pra comprar roupa pra caramba na H&M e na Primark, o Torra Torra da Zoropa.

Toda consulta que eu ia, a moça da recepção me pedia pra mijar num copo e tirava meu sangue. As amostras dos exames são tiradas no próprio consultório e então não preciso daquela chatice de marcar exame num laboratório, ficar lá esperandozzz no dia marcado, depois ter que buscar o bendito do resultado. Acho que essa é a melhor parte do pré-natal aqui, não fazer a pobre da grávida andar pela cidade pra fazer um exame em jejum logo cedo. Por falar nisso, nunca me pediram jejum pra fazer exame nenhum.

A consulta é uma vez por mês, depois do sétimo mês é quinzenal, e no último mês, toda semana.

Antes de ir na consulta com a médica, desde o sétimo mês fazem um exame cardíaco no bebê, fico deitada numa salinha com uma sonda na barriga por 20 minutos pra chegar o coração e movimentos da Penelope. Toda vez que eu ficava lá ficava fuçando um livro cheio de nomes e significados, em alemão, com um monte de nome alemão tipo Birgit, Elke, Marlene, Franziska, Elsa…

Depois,  a médica ia me examinar.

Toda consulta ela me dava uma dedada pra checar o colo do útero, sempre me sentia meio lésbica nessa hora, mas tentava parecer que tava achando super natural. Engraçado que o obstetra do Gi nunca fez isso, nunca tocou na minha xaroca pra nada, ainda bem. Acho que ninguém curte esses exames em que enfiam coisas na gente sem nem dar um xaveco antes. Ás vezes ela colocava uma sonda transvaginal pra fazer ultrassom, ou fazia o ultrassom na barriga mesmo, com direito a foto 3D! Dessa parte eu gostava bastante.

A consulta é bem rapidinha, objetiva, minha GO (ginecologista obstetra) é alemã mas fala inglês muito bem, é simpática até. Mas não é ela que fez o parto.

Na Alemanha, o parto é feito no hospital, por uma equipe de plantão. A GO faz o acompanhamento, mas na hora de parir a gente precisa ir ao hospital e quem estiver lá faz o parto.

Por isso, no sexto ou sétimo mês, é preciso ir uma noite no hospital pra conhecer, ouvir palestras em alemão com slides no Powerpoint, eles explicam como funcionam as salas de parto. Aqui eles dão prioridade ao parto natural, então no hospital tem banheira, bolas de pilates, acupuntura, massagem e o escambau.

Mas no meu caso, a médica falou que era melhor fazer cesariana mesmo porque eu sou pequena, o marido é grande e o bebê poderia ficar meio que entalado. Nem queria parto normal mesmo… Pode parecer estranho, mas nunca tive vontade de ter parto normal.

Nas últimas semanas precisei me registrar no hospital e fazer os últimos ultrassons e marcar a data da cesárea. O problema é que a médica foi medir no ultrassom a cabeça do bebê e ela disse que era pequena pra idade gestacional. “Pronto, fudeu, minha filha tem microcefalia, peguei zyka no Brasil!”, pensei eu no auge da panaroina delirante.

Na semana seguinte voltamos ao hospital pra fazer outro ultrassom, e outra médica disse a mesma coisa. O pessoal aqui é direto e objetivo, ás vezes até demais.

Eu fiquei paranoica pensando em tanta coisas, pesquisando no doutor Google, só desejando que o dia da cesárea chegasse logo!

Porém, não sei se foi a ansiedade, o destino ou a Penelope que quis assim, comecei a sentir as contrações dez dias antes… E ela veio um pouco mais cedo, para nossa alegria!

Mas como foi o parto, eu conto no próximo post! Foi até divertido, parando pra pensar agora, rs.

Beijos, falou!

😉

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Aprendendo a ser cuzona

Quando eu era criança era muito purinha. Bobinha até. Ingênua de tudo. Sofri muito com a maldade humana desde meus primeiros anos de vida. Uma vez, quando eu tinha uns cinco anos, numa festa, uma menina filha da puta inventou que bati nela e minha mãe resolveu me castigar dando uns tapas. Chorei depois de ter apanhado, ainda mais porque eu nada tinha feito pra merecer aquilo. Antes tivesse mesmo dado umas piabas naquela vadiazinha nojenta. 

Isso foi só o começo. Depois veio bullying na adolescência, humilhações, fui ignorada, desprezada e subestimada até por pessoas de quem eu esperava justamente o contrário. Pensando bem, eu tive boas razões pra odiar o ser humano, mas mesmo  assim sempre fui de dar uma segunda chance, de perdoar. Nasci com um coração mole, sou daquelas  que prefere ser magoada a magoar alguém, embora abra exceções e  faça isso com muito gosto e até um certo sadismo quando a pessoa merece. O foda é eu sempre sinto (na verdade tenho sentido cada vez menos)  remorso depois, mesmo sabendo que a pessoa mereceu. É uma qualidade ser bom? É! Ser legal talvez me garanta um lugarzinho no paraíso, caso ele exista. Mas sabe, de uns tempos pra cá, eu tenho pegado gosto por ser meio cuzona… Sabe quando você tá de saco cheio da atitude de alguém mas nunca teve coragem de se manifestar porque gosta dessa pessoa, não quer magoá-la, e fica aguentando calado quando no fundo queria mesmo era tacar merda no ventilador? Pois é, isso está morrendo em mim. Tenho tacado a merda no ventilador no estilo metralhadora,  chutado o pau da barraca mesmo, dando cutucadas disfarçadas de brincadeira e com isso aprendido uma valiosa lição: muitas vezes é preciso dar uma de louco pra ser respeitado. 

Se você é bonzinho sempre, não abre a boca pra nada, as pessoas acham que tá tudo certo e vão continuar com a mesma atitude egoísta, afinal você aceita tudo, tá sempre com um sorriso deboísta na cara quando no fundo queria mesmo era mandar se fuder. Não pode ser assim. Pra sobreviver nesse mundo devasso e cão, é preciso ser cuzão, mostrar a cobra e matar o pau, deixar bem claro se algo te agrada ou não, ser sincero mesmo que te custe menos likes no Facebook. Talvez, muito provavelmente, algumas pessoas mais frescas vão se melindrar e se afastar. Mas até aí, vantagem! É melhor que elas se afastem porque são do tipo mimadas que não aceitam verdades, pensam que o mundo é obrigado a aceitar como elas são. Como aquelas pessoas que dizem orgulhosas “eu sou assim, foda-se o mundo, não vou mudar”. Ninguém  precisa de  gente escrota por perto. Mas se a pessoa gostar de você, ela vai passar a te tratar melhor e com mais consideração, quem sabe até com mais admiração, pois agora você sabe se impor. Todo mundo pensa duas vezes antes de fazer asneira pra seres dotados com aquela aura de “eu me amo, eu mereço respeito, consideração e não aceito menos do que isso”.

Há alguns anos, uma “amiga” desabafava sobre um macho dela. Eu sempre ouvia pacientemente, dava conselhos, era o muro das lamentações daquela bitch. E nesse dia em especial era meu aniversário. E eu falei em dado momento da conversa, como quem não quer nada  “hoje é meu níver…” Pensa que a biscate parou um instante de choramingar e me sugar pra me dar os parabéns? Não. Me senti triste e usada, sem valor. Inventei uma desculpa, saí  da conversa e passei a evitá-la. Se fosse hoje eu também sairia da conversa, mas não sem antes ter dado um esculacho na mocreia, sem apelar para a baixaria, claro, apenas dando um hadouken sarcástico e classudo. Seria algo como “acho que vou nessa, porque eu vou sair e comemorar meu aniversário. Ah obrigada pelos parabéns, você é sempre tão atenciosa! Fica bem, querida!” 

Ninguém é obrigado a ser legal e compreensivo com gente egoísta e filha da puta. Até porque se formos complacentes com esse povinho, eles vão continuar sendo os mesmos sempre. Se o réptil não se emenda, ele se afasta de você e pronto! De um modo ou de outro, quem ganha é você.

Como eu li na internet esses dias “quem perdoa é Deus, eu to aqui pra guardar rancor e jogar na cara mesmo!” Aliás, nem Deus é tão fofo, só perdoa quem se arrepende, o resto ele manda tudo pro inferno.

   

 

Mas mesmo sendo cuzona agora, sou como o cudim da foto, no fundo continuo sendo um doce!

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Frio é relativo

Curioso como nossa noção de temperatura muda em relação ao meio em que a gente vive. Nós acabamos nos adaptando de alguma forma.

No Facebook vejo um monte de gente do Brasil falando “nossa tá muito frio!”, “to morrendo!”.

Entrei no app do Climatempo e fui conferir a temperatura em Osasco, minha cidade natal. 11 graus! Quando eu morava lá, com uma temperatura dessas eu estaria usando duas calças, meia grossa e bota, a blusa mais pesada do meu guarda-roupa e ainda mais uma blusa de lã por baixo, acompanhado de um cachecol e um gorro. Talvez até luva! Mas hoje, morando na Alemanha, depois de já ter passado por inverno de 5 graus abaixo de zero, se faz 11 graus eu coloco um casaco levinho, sem forro, com uma camiseta por baixo, uma legging ou calça jeans, um tênis com meia normal e nada mais! Pra mim 11 graus não é mais frio. É um tempinho ameno, até gostoso, no máximo um friozinho agradável. Talvez se eu morasse na Rússia eu até deixasse de considerar 5 graus negativos como frio, quem sabe.

Já ouvi falar, por exemplo, que esquimó fica pelado de boa quando faz zero grau. Pra eles isso seria equivalente a um verão no Hell de Janeiro.

Enfim, frio, assim como um monte de coisa nessa vida, é relativo.

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Aplicativos que avaliam beleza? Ah vá!

Li na net sobre um aplicativo de inteligência artificial feito pela Universidade de Zurique que avalia a idade e a beleza das pessoas através da foto. A avaliação vai desde hmmm, que equivale a um “tu é estragado” até godlike (divino).

Resolvi botar minhas fotos, sem esperar muita coisa. Recebi notas como ok e nice, ou seja, algo como arrumadinha ou bonitinha, mas aquele bonitinha bem meia boca. Quanto a idade, ele me avaliou como tendo de 20 a 24 anos, quando na realidade tenho 30. Então segundo o aplicativo não sou aquela coisas mas pelo menos aparento ser mais jovem do que sou. Confesso que fiquei um pouco tristinha, mesmo não esperando nada como godlike nem levando o trem realmente a sério. Tive então uma ideia: testar fotos de celebridades com e sem maquiagem só pra ver qual é a desse aplicativo.

   
 
Vemos aqui Scarlett Johansson antes e depois do raio glamourizador. É a mesma pessoa, mas olha a diferença! Sem nada ela é apenas nice, mas produzida ela fica quase divina, segundo o aplicativo.

   
 Natalie Portman, que acho bonita com ou sem maquiagem, ao natural e sem cabelo com escova é apenas nice. Tadinha da Natalie!

Agora vamos ao mais bizarro!

  
  
Olha aí a Anne Hathaway. Sem maquiagem parece uma garota normal, bonita, mas nada que se destaque na multidão. Só que o aplicativo, que é uma anta, avaliou a mão dela segurando uma latinha como nice e deu a ela 57 anos de idade!!! Porra meu, essa merda não sabe nem diferenciar uma mão de um rosto! Daí vi que definitivamente essa tal de inteligência artificial ainda tá mais pra jumentice artificial e vai demorar muito pra um dia a tecnologia poder avaliar conceitos tão subjetivos como a beleza. Se é algo que nem nós humanos sabemos fazer direito, que dirá um aplicativo mequetrefe qualquer.

Por isso, moça ou moço, não acredite nessas porcarias, acredite no que vocês vê no espelho, no que as pessoas que gostam de você dizem  e vai ser feliz!

Se você ficou curioso pra saber o que o site vai dizer sobre o rostinho que Deus lhe deu, clica aqui dom!

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Ando decepcionada com as pessoas

Sim, tenho estado muito decepcionada, putaça da vida mesmo com as pessoas em geral. A gente é legal, atencioso, receptivo, amigo, um fofo com os outros, e o que recebe em troca?

Desprezo! Mensagens visualizadas e não respondidas! Indiferença!

Não é que eu seja fofa esperando automaticamente gratidão e reciprocidade. Faço porque gosto, porque me sinto bem comigo mesma, porque tenho Jesus no coração, eu nasci assim, eu cresci assim, eu fui sempre assim… A trouxice tá no meu sangue, fazer o que…

Mas uma hora, depois de tanto tomar no cu, a gente que é uma pessoa do bem, bacana, começa a pensar “pô, meu, acho que eu to sendo é muito otária. Talvez eu devesse começar a tratar as pessoas com desprezo também. Acho que vou começar a fingir que sou uma cuzona só pra meio que impor respeito, sabe? Ninguém gosta de gente boazinha, as pessoas gostam de ser mal tratadas mesmo, pisadas, esnobadas, ignoradas. Vai ver eu to sendo um puta de um chato e só eu que não percebi. Que se foda o mundo!”

Infelizmente isso dura pouco, e lá estamos nós mais uma vez sendo um trouxa, sendo mais uma vez desprezado, mais uma vez ficando com ódio e prometendo a si mesmo que vai começar a cagar e andar pro mundo. Eu sei que uma hora eu posso acabar virando uma pessoa ranzinza e cascuda, e daí, que os filhos da puta não reclamem, pois se eu me tornar um monstro pau no cu, málegno e de coração peludo a culpa é toda deles. 

Só pra vermos o quanto a humanidade é desgraçada, basta lembrar de Jesus. A mãe dele era pobre, não tinha plano de saúde, nenhum viado acolheu Maria pra ela ter um parto digno. Teve que parir num curral cheio de bicho. Mesmo assim Jesus cresceu e sempre foi firmeza com os manos, transformava água em vinho, multiplicava pão, peixe, andava sobre as águas. Pensa em alguém que foi legal pra caramba. E o que o coitado ganhou em troca? Um amigo traiu ele e o entregou pros romanos em troca de umas moedas, o outro fez a egípcia e negou que conhecia, e com isso Jesus morreu todo fudido numa cruz, cheio de prego enfiado nas extremidades. Mas como ele não era um zé ruela, ressuscitou e depois ainda disse que ia voltar!

Chessus, não volta não, deixa essa povo tomar no butico, ele merece! Eu que não tenho nem um milésimo da sua gentileza já passo raiva aqui, imagina você!

Fica a dica!